12.6.05

no meu quarto

nada no meu quarto resiste.
à negra podridão,
que o meu coração emana.
tudo o que é vivo.
morre.

no meu quarto a luz não entra.
porque eu sou a cortina
que protege todo o meu mundo.

as plantas,
apodrecem
numa nuvem negra
e libertam o cheiro ameno
da potrefacção.

no meu quarto
só eu sobrevivo.
só eu vivo e renasço.
todos os dias.

embalada pelo silêncio
aromatizado pela escuridão.

a decadencia veio,
dá-me um beijo de boa noite.
e assim continuo.
morta.
no meu quarto.

onde nada vive.

apenas eu. e a solidão empedrada.